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População negligencia a dengue
O agente de saúde do programa “Escola Saudável” de Sorocaba, Edson Leme, afirmou ontem, 24 de março, que a população tem informação suficiente para evitar os criadouros do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. No entanto, “nem todos têm consciência de seu papel”. A doença voltou a ser notícia no Brasil, pois o estado do Rio de Janeiro enfrenta uma epidemia desde o começo do ano. Segundo ele, algumas pessoas se automedicam ao sentir sintomas característicos da dengue como febre, dor de cabeça, dor no corpo e náuseas, o que é muito perigoso, pois “medicamentos à base de ácido acetil salicílico e antiinflamatórios, como aspirina e AAS, podem aumentar os riscos de hemorragia”.
Leme disse que a cidade de Sorocaba toma várias atitudes para o combate à dengue, entre elas, a visitação de casas realizada por agentes do CCZ, Centro de Controle de Zoonoses e a nebulização em áreas com casos confirmados. O agente de saúde contou que realiza palestras e o “Teatro da Dengue”, uma atividade lúdica e educativa que visa conscientizar o público infantil sobre o assunto desde 2005. O trabalho é feito nas escolas públicas da cidade para alunos que cursam até a 4ª série do ensino fundamental e “os resultados têm sido satisfatórios”.
_______________________________________________________________________________________Unidade Móvel leva esperança a população carente
O Banco de Olhos de Sorocaba realiza desde o ano 2000 um projeto conhecido como “Unidade Móvel”. Esse projeto visa atender, realizando consultas oftalmológicas dentro de um ônibus adaptado com dois consultórios, a população carente de Sorocaba e região. Segundo o responsável pela Unidade Móvel, Mylton Cruz Junior, o objetivo de detecção de patologias, prevenção de doenças oculares e prescrição de óculos tem sido atingido. O número de pessoas atendidas é enorme. “Nós realizamos em média 14 mil atendimentos por ano. Já estamos com oito anos de estrada, sem contarmos o que realizamos em 2008. Isso dá um total de 112 mil pessoas atendidas e beneficiadas pela Unidade Móvel”, disse Cruz.
Apesar do projeto existir há dez anos, sua idealização ocorreu muito antes, por volta de 1990, quando o Hospital Oftalmológico de Sorocaba estava em fase de construção. O idealizador foi o presidente da entidade na época, Pascoal Martinez Munhoz, que se inspirou no Projeto Rondon, aonde o médico se descolava até os pacientes mais humildes para atendê-los. Como Sorocaba era muito carente na área de saúde e no setor de oftalmologia não era diferente, a proposta de levar atendimento a pessoas carentes veio na hora certa.
Segundo a médica oftalmologista que atende na Unidade Móvel, Lindalva Carvalho de Morais, esse projeto é importante para a população, pois atende pessoas que teriam dificuldade para conseguir atendimento em suas cidades, que muitas vezes não têm especialistas. Lindalva disse achar ótimo participar de um projeto como esse, podendo levar seu conhecimento e colaborar com quem realmente necessita. “Inúmeras vezes atendemos idosos que estão fazendo consulta pela primeira vez”, conclui a médica.
O perfil de grande parte dos beneficiados pelas consultas é o mesmo: pessoas que não vão até um consultório ou a uma cidade vizinha para receber atendimento oftalmológico, pois não possuem condições financeiras para isso. É o caso da dona-de-casa, Luiza Domingues dos Santos, que estava com os óculos quebrados há cinco anos, no entanto, os mesmos não foram trocados, pois ela não tinha condições de pagar uma consulta oftalmológica e ainda adquirir óculos novos. A dona-de-casa contou que a oportunidade de ser atendida em Iperó, cidade onde mora, veio na hora certa e que o atendimento na Unidade Móvel correspondeu as suas expectativas.
O atendimento dentro no ônibus é dividido em duas partes. Os pacientes são encaminhados, primeiramente, à triagem, onde é feita a verificação dos óculos, no caso das pessoas que os tenham, é medida a pressão intra-ocular e é realizada uma refração automatizada. Já na consulta é feita a refração subjetiva e a prescrição de óculos quando necessária, em seguida, são realizados os exames de fundo de olho e biomicroscopia, que auxiliam na detecção de algumas doenças como glaucoma, diabetes, catarata, ceratocone e pterígio.
É importante ressaltar que para aproximadamente 70% dos pacientes a prescrição de óculos é necessária. Os pacientes que precisam de qualquer tipo de cirurgia oftalmológica e aqueles que possuem doenças que podem comprometer a visão são encaminhados ao Hospital Oftalmológico de Sorocaba. Isso ocorre com pacientes atendidos em Sorocaba e em todos os municípios onde o projeto é realizado. Mylton Cruz Junior ainda afirmou que as cidades procuram o atendimento da Unidade Móvel, que é feito de forma gratuita aos pacientes, ficando as despesas por conta dos municípios.
